À volta do coreto também se come, se bebe, se faz e se troca.
Durante o festival, a Feirinha reúne cozinheiros, produtores e artesãos. Sabores, objetos e saberes encontram-se no mesmo lugar, trazidos por quem os faz.
GASTRONOMIA
À mesa, nenhuma cultura existe sozinha.
A cozinha que chamamos portuguesa já nasceu de encontros, deslocações e trocas. No Alentejo, essa memória cabe num dos pratos mais essenciais da região: a açorda. A palavra vem do árabe andalusi thurda — pão migado e ensopado — e a sua linhagem atravessa séculos de presença muçulmana na Península.
A circulação não parou na Idade Média. No século XVIII, o açúcar produzido no Brasil — dentro de uma história colonial que não deve ser romantizada — teve um papel importante na expansão da doçaria portuguesa. Hoje, a presença brasileira em Portugal volta a transformar produtos, restaurantes e hábitos à mesa. A influência nunca circula num só sentido: as receitas viajam, adaptam-se e regressam diferentes.
SABIA QUE?
Na Mértola islâmica dos séculos XII e XIII, a tarida — pão partido e ensopado em caldo — é apontada pela investigação como antepassada direta da açorda alentejana.
NO FESTIVAL
Nos dias 18, 19 e 20 de setembro, o Jardim Público recebe bancas e cozinhas de comunidades que fazem parte de Montemor-o-Novo — com sabores do Alentejo, de Cabo Verde, Moçambique, Angola, Bangladesh e de muitos outros lugares.
Cozinhamos lado a lado, provamos, conversamos e reconhecemos tudo o que já partilhamos. No Monteamor, a mesa é um lugar de encontro — e há lugar para todos.